O Clubhouse é uma rede social baseada em conversas por áudio ao vivo em salas de bate-papo. Os encontros acontecem sobre diversos temas e são baseados nos interesses de cada membro. Há muitas opções de salas com foco em empreendedorismo, startups, gestão, aprimoramento de idiomas e até entretenimento.

A plataforma nasceu em meio a pandemia do novo coronavírus e já conta com mais de 6 milhões de usuários, de acordo com a Backlinko, consultoria especialista em estratégias de SEO (sigla em inglês para “otimização de mecanismo de busca”).

Os responsáveis pela criação da startup são os norte-americanos, Paul Davison, empreendedor do Vale do Silício, e Rohan Seth, ex-funcionário do Google. A ideia foi colocada em prática em abril de 2020 e em julho a plataforma estava avaliada em US$ 100 milhões. Em janeiro deste ano, a empresa de inovação recebeu um novo investimento. Segundo o site de tecnologia The Information, estima-se que seu valor já ultrapasse de US$ 1 bilhão. 

Mas como a plataforma pode ajudar seu negócio? É para responder essa pergunta que entrevistamos profissionais das áreas de comunicação e marketing, e empreendedores da comunidade iDEXO. Reunimos aqui algumas dicas que podem ajudar a explorar positivamente a nova ferramenta. 

Acesso ao mercado

Muito além do medo de ficar de fora,  “FOMO” – Fear of Missing Out,  a rede pode ser uma oportunidade de conexão e geração de leads. O cofundador e CEO da Pin People, Frederico Lacerda, afirma que enxerga possibilidades de negócios para sua startup que é  focada na experiência do colaborador,

“Tive uma experiência muito positiva em uma sala que tratava do nosso tema e tinha potenciais leads. Então, vamos fazer um teste de uso da plataforma já nesta semana”, afirma. Interessados em participar da sala que tratará sobre a experiência do colaborador, podem acessar aqui. O encontro acontece no dia 11 de fevereiro, às 20h.

Para o cofundador e CEO da TAG, Jaimes Patrick, o contato direto com outros profissionais da área que o Clubhouse oferece é um diferencial para o mercado em que atua. A TAG otimiza o processo de captura dos dados para os hotéis utilizando o checkin e checkout online e vem acompanhando as mudanças do mercado desde o início da pandemia e as oportunidades de diversificar seu produto. Na última terça, o empreendedor já criou uma sala específica para discutir a hotelaria no Brasil, que é a área de atuação da startup. 

“A longo prazo acredito que o Clubhouse vai ser uma rádio de podcasts. E por que não criar um canal de hotelaria, para conversar com os hoteleiros para a troca de informações nesse espírito informal. Isso faz com que a gente consiga nos aproximar mais dos nossos clientes, dos nossos leads ou dos nossos prospect. O que, no final das contas, acaba influenciando diretamente no processo de venda. Porque você acaba ganhando relevância dentro de um mercado que você precisa de autoridade para conseguir vender”, afirmou Jaimes Patrick. 

Entre as características do Clubhouse está a de que as conversas acontecem em salas criadas por um moderador, elas têm um tempo pré-determinado de permanência e não podem ser gravadas. Outro ponto é que só é possível participar a partir de um convite de quem já é usuário. Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas para sistema iOS, o que limita o acesso de mais usuários, tendo em vista que um relatório do Google aponta que no Brasil 9 em cada 10 pessoas usam Android. Os desenvolvedores já divulgaram que estão trabalhando na  versão, sem previsão de data de lançamento.

Gestão da marca

A nova rede social tem sido usada como uma fonte de contatos profissionais e negócios. E por isso, é comum encontrar além de curiosos, pessoas que destacam seus perfis profissionais e empreendimentos. 

“Quem entra na plataforma com foco em fazer conexões profissionais, é interessante colocar uma foto similar a que usa em redes como Linkedin, fazer um breve perfil em bullets, destacando o foco de negócios que tem na rede e como a startup pode atuar para ajudar outras empresas. Além de disponibilizar os horários de agenda que já reservou para bate-papos”, explica a head de Comunicação e Comunidade do iDEXO, Larissa Garcia.

Essas salas de bate-papo muitas vezes atendem a um nicho e é neste aspecto que você pode apresentar sua startup. A cofundadora e CEO da Gupy, softwares de recrutamento, seleção e admissão digital, Mariana Dias, é um exemplo de empreendedora que utilizou seu perfil para apresentar um pouco sobre o modelo de negócio em que atua e associar diretamente a voz dela à startup. Mariana participou de encontros relacionados a empreendedorismo e mulheres na tecnologia. 

“O Brasil tem um grande engajamento em redes sociais, o Linkedin, por exemplo, tem mais de 43 milhões de usuários. É importante lembrar que, como toda novidade, muitas mudanças devem vir por aí. Mas testar novos formatos e entender se eles funcionam para a proposta da sua marca, é sempre importante. Além dos encontros que o próprio app promove,  profissionais de comunicação e marketing diariamente fazem encontros para falar sobre estratégias. Vale dar uma olhada.”, explica Larissa. 

Neste momento, o acesso ao mercado e a troca de experiências é um dos carros chefes da nova rede social. “Como o uso da plataforma está ainda no começo,  muitos profissionais estão na onda da curiosidade e teste. Com isso, estão disponibilizando horários de suas agendas, por exemplo, para se abrir a novos contatos e dividir conhecimentos como se preparar para um rodada de investimentos, como fortalecer canais de venda, dando consultoria a empreendedores com menos experiência”, complementa a head de Comunicação e Comunidade do iDEXO.

O founder e CEO da E-comprei, Vinicius Hilkner Oliveira, começou a explorar a rede social com foco do networking. “Entrei em grupos com pessoas que têm vivência maior que a minha em determinados assuntos do ecossistema. É uma oportunidade de conhecer algumas perspectivas que fora do Clubhouse talvez eu não tivesse”, explica. 

Validação de ideias

Obter um retorno sobre um produto ou serviço que sua empresa oferece é uma demanda que sempre exigiu esforços e recursos. Pois bem, o Clubhouse também tem se mostrado uma ferramenta aberta e gratuita para se fazer isso. 

“A rede oferece a oportunidade de você obter um feedback imediato em uma conversa. Isso é de grande valor para as marcas e tende a ganhar espaço no mercado”, afirmou a CEO da Brand Gym, empresa especializada em branding para empreendedores, Guta Tolmasquim, em entrevista ao blog NUVEM

Treinar pitch

Larissa Garcia destaca outro ponto relevante para empreendedores gerado a partir do Clubhouse: treinar e aprimorar seu pitch. “Esse é um espaço em que você pode expor sua ideia de negócios e receber o retorno de diferentes públicos e pessoas. Inclusive pode treiná-lo em outros idiomas, pois a plataforma reúne profissionais de diferentes setores e países. Basta elencar quem é o público que você quer focar”.

Além disso, por ser uma rede social que não ainda permite a criação de um perfil comercial, Guta Tolmasquim alerta para a importância do treinamento do discurso do porta-voz para a construção da marca. “No Clubhouse mais pessoas têm acesso aos founders e CEOs. A marca vai necessariamente ser representada por uma pessoa, uma voz, por isso a importância do alinhamento adequado”.

As especialistas em comunicação ressaltam que novas redes sempre vão surgir, cabe sempre à marca entender qual seu nicho de mercado e as oportunidades que vê em cada canal.

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