O Gympass iniciou 2020 muito bem com sua solução de atividade física. Isso porque, no ano passado, recebeu um aporte de U$300 milhões liderado pelo Softbank e passou a fazer parte da lista dos unicórnios* brasileiros. Em março, com o isolamento social obrigatório, em razão da chegada do novo coronavírus, os usuários da solução ficaram sem acesso presencial à academia e outras atividades. Além disso, as empresas – seu público contratante – passaram a cortar custos, impactando os negócios da startup e gerando inclusive corte no quadro de funcionários.

Em entrevista ao Blog NUVEM, a CEO do Gympass no Brasil, Priscila Siqueira, conta a experiência de como foi transformar o modelo de negócio que era 100% voltado para atividades presenciais em uma plataforma com mais de 40 serviços ligados ao bem-estar como nutricionista, meditação e treino personalizado.

Segundo ela,  parte dessa agilidade em mudar vem do espírito de startup, que mesmo grande, hoje com cerca de 1 mil  funcionários, ainda preza pela rapidez em resolver problemas e antecipar a necessidade de seus públicos. Fundada em 2012, atualmente o Gympass opera em diversos países na América do Norte, América Latina e Europa.

A executiva adianta alguns pontos de sua palestra no iDEXO SUMMIT, evento que acontece no próximo dia 11 de novembro, e que focará na transformação dos negócios e na experiência do consumidor em um ano pautado por desafios. 

NUVEM – Com o desafio imposto pela pandemia, quais as iniciativas tomadas para lidar com os impactos e rever o modelo de negócio?

Priscila Siqueira – A pandemia trouxe um desafio muito grande para gente, pois o nosso produto perdeu totalmente a relevância na vida das pessoas, uma vez que as academias fecharam as portas, por conta do isolamento. Então, internamente, criamos dois comitês, um de ataque focado em reagir ao mercado e inovar mediante cada situação. Já o outro, chamamos de comitê de defesa, focado em olhar para dentro das empresas, colaboradores, para a revisão de custos e tudo mais. Com essa estratégia, enxergamos que era preciso cuidar de todo nosso ecossistema: academias, empresas, clientes finais, time e etc. A primeira coisa foi colocar em prática um projeto que já estava em desenvolvimento, o Wellness (bem-estar) em que trouxemos para dentro da nossa plataforma aplicativos, como de atividade física, relacionados com a nutrição, saúde emocional e, hoje, até de educação financeira. São mais de 40 aplicativos dentro da plataforma. E foi aí que pivotamos nosso negócio, passando a ser uma plataforma de bem-estar e não só uma solução de atividade física.

NUVEM – Como foi o processo de entender a necessidade dos três principais públicos de negócios: empresas contratantes, academias e usuários?

Priscila Siqueira – Em relação às academias, ajudamos a colocar as aulas online em prática, disponibilizamos uma plataforma de streaming e fizemos workshops para que eles pudessem se adaptar a esse novo modelo de dar aulas. Do lado das empresas, nos tornamos  uma aliada para manter os colaboradores saudáveis e ativos, não só fisicamente, mas mentalmente. Já para o usuário, demos continuidade ao serviço com a segurança e a comodidade de estar em casa, além de incluir novas ofertas. 

NUVEM – Ao identificar as demandas, quais as medidas tomadas?

Priscila Siqueira – A evolução disso, primeiro, foi a parte de wellness, que passou a ser muito importante para gente. Diria que antes o Gympass era uma plataforma de atividade física e hoje o Gympass é uma plataforma de wellbeing, porque juntamos a questão de atividade física e as questões de saúde em geral. Então, conseguimos colocar a atividade física sob demanda e com aula digital. E, agora, estamos evoluindo para uma coisa muito legal, chamada wellness coach. Além do Gympass Kids, com aplicativos específicos para crianças.

NUVEM – Pensando no caráter executivo, o quanto tudo isso colaborou para a evolução do Gympass e para sua carreira?

Priscila Siqueira – A transformação digital, que vendíamos há seis anos, e vimos acontecer em três semanas, foi uma importante mudança. Então, evoluímos em muitas coisas que não priorizávamos antes, o próprio home office é um exemplo. Mas acredito que os maiores aprendizados foram em comunicação e empatia. Isso de aprender a ler as pessoas, o cenário, sem necessariamente estarmos juntos, foi um aprendizado importante. E estamos aprendendo, a cada dia. O tema da comunicação foi um outro grande aprendizado. Como você faz um planejamento de forma remota ou um brainstorming? Vou confessar que tive dificuldade no começo. Precisei voltar a estudar. Então, você volta a aprender. 

NUVEM – Agora, se olharmos para o panorama futuro, acredita que esse modelo veio para ficar? O Gympass já pensa  nos próximos passos e em como expandi-lo e evoluí-lo?

Priscila Siqueira – A questão de ser uma empresa de bem-estar é uma ida sem volta. Antes falávamos que a nossa missão era combater o sedentarismo. Hoje nossa missão é mais que isso. É  contribuir para que as pessoas se sintam bem integralmente: saúde emocional, mental e física. Depois da pandemia, acreditamos que o que continuará é o mundo híbrido.

Para saber mais, acompanhe a programação do iDEXO SUMMIT. 

*unicórnio – uma startup que tem avaliação de mercado superior a 1 bilhão de dólares.

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